sábado, 24 de fevereiro de 2018

"CRIADO COMO DEUS CRIOU BATATA"

“CRIADO COMO DEUS CRIOU BATATA”


batata-doce é uma planta perene que tem sido cultivada na América Central e na América do sul por milhares de anos. Ela tem crescimento rastejante, caule herbáceo e folhas largas, com formato, cor e recorte variáveis O cultivo da batata-doce pode ser feito a partir de uma batata ou de ramas.

 A rama é lançada na terra pelo agricultor e não necessita de grandes investimentos para que ela possa crescer. Não carece de muitos cuidados durante o seu ciclo de crescimento. Como se trata de uma cultura de ciclo curto, a batata- doce está pronta para ser colhida em um período de 100 a 150 dias após o início do plantio.

No interior de Pernambuco entre a população rural/agricultores existe um ditado que diz, “ criado como Deus criou batata” é uma indicação de para aquela pessoa que o pai ou a mãe não conseguiu cuidar dela durante a sua infância. Essa pessoa conseguiu sobreviver apesar do descuido e da falta de atenção desses pais.

É visto, ainda, como um individuo que enfrentou muitas dificuldades físicas e psíquicas em sua infância, mas segundo o conceito de população já citada, acima, a sobrevivência dessa pessoa foi por obra e cuidados divinos. Da mesma forma que a batata é atrelada a um produto que se constitui sem muita mão de obra humana e também é explicado o seu crescimento ao processo de cuidados da natureza por si só.

Pois bem, no parágrafo seguinte,   temo o relato de uma mãe e sua nomeação para o lugar de seu filho durante a infância do mesmo. Na fala da mãe que narrava a historia de como ele veio ao mundo, ela dizia, “Você veio ao mundo, assim como Deus crio batata”!

A mãe teve depressão pós-parto e não conseguiu cuidar do seu bebe, assim, entregou ele os cuidados da avó materna e se fechou em seu mundo/quarto de medo. Medo de que ira morrer antes que o filho fizesse 40 dias. Um medo que a paralisou e a afastou do seu bebe.
Uma mãe que expõe essa fala/nomeação para uma criança entre a infância e sua adolescência e que também já era dito para o mesmo ainda de colo quando essa mãe chorava culpada por não ter conseguido cuidar do seu filho por até 40 dias após o seu nascimento. É possível que essa inscrição/ordem possa acarretar na psique deste bebe/criança, um prejuízo ao longo de sua vida.

Nesse indivíduo é possível aparecer sintomas de uma neurose de abandono. E que a psicanálise investiga como um quadro de angustia de abandono e  pode aparece dentro desse tipo de  neurose, a necessidade de segurança. Ele, possivelmente, buscará segurança em seus relacionamentos sociais. E essa insegurança poderá acarretar uma dificuldade em suas demandas com o social/ pessoas.

Aquela frase que a mãe tanto repetia para aquela criança no momento infantil parecia não significar nada para a criança que só ouvia sem entender o teor da fala. Mas o inconsciente durante a adolescência trouxe a tona em sintomas: asma, renite e alergias diversas.
Uma rivalidade com a mãe se instalou e esse adolescente saiu de casa. Mudou-se para outro Estado. 

Acabaram-se as alergias, mas ficou a insatisfação em seus relacionamentos e a necessidade de ser amado / reconhecido. E quando o mesmo vinha visitar essa mãe ela lhe contava a mesma História: “Agora, sim, ficou real, a batata só mudou de lugar”. E o sentido de vazio e solidão só aumentava em seus relacionamentos.

A família para tentar ajudá-lo a resolver o conflito que se instalou, comece a presenteá-lo com dinheiro e viagens, mais a cada dia o vazio e a insatisfação dele aumentava mais.
Quando um bebe nasce e a mãe, pai ou quem está fazendo essa função de alimenta-lo, também, deve fazer as inscrições psíquicas dessa criança através de suas falas/ordens e assim ao ouvir essa nomeação, o bebe vai si constituindo como um sujeito de desejo. Um sujeito desejado começa a ter desejos, também. No inicio o desejo é do grande Outro, mais com o amadurecimento psíquico a criança deve começar a conhecer os seus próprios desejos.

E durante essa formação desejosa é que se constitui as pulsões de vida. Segundo Lacan, uma fala/ ordem/ da mãe ou pai quando fala, é inscrita na estrutura psíquica e durante o crescimento desse sujeito a ordem torna-se uma espécie de norte para que o individuo faça a construção dos  seus laços sociais. 



quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

O DITO, NÃO DITO!




O DITO, NÃO DITO.


Através das famosas “brincadeiras” pode-se dizer coisas que não se consegue falar abertamente.  Muitas pessoas verbalizam aquilo que queriam falar, mas não conseguem sem utilizar a linguagem do chiste.

Freud em seu estudo sobre chiste, piadas e gracejos e a sua relação com o inconsciente ( 1905), teoriza que as piadas assim como as brincadeiras geram satisfação e nos fazem rir. Porém, rimos ainda com mais intensidade quando há um pensamento sendo expresso pelo chiste, isso é, quando a piada cumpre um papel, um propósito ou uma “tendência”.
 
É importante lembrar que muitos discursos vêm carregados de humilhações, disfarçadas de “brincadeiras”. E a reposta quando alguém entende que foi humilhado (a) é: Desculpa, foi só uma brincadeira! 

Não tolere os tipos de “brincadeiras” irônicas ou humilhantes, que colocam o Outro em situação de vergonha perante os demais. Aquele  que tem essa prática,  também, passou por isso na maioria dos casos.

Isso é fragilidade de pessoas que precisam de ajuda! 

sábado, 20 de janeiro de 2018

A RECONSTRUÇÃO É POSSÍVEL


A reconstrução é possível

Ao Estudar sobre relacionamentos percebemos a dificuldade que o individuo tem em  lidar com eles. A forma como lidamos com nossos relacionamentos é vestígios de nossos modelos parentais.

Você já chegou a ver um membro de sua família pedir ou receber perdão? Como era a conversa à mesa de jantar? Como vocês expressavam raiva? Existia uma forma de lidar com ela de modo construtivo? Quanto esforço era investido na saúde dos relacionamentos? A motivação se dava por meio de incentivo ou de ameaça e culpa? Sua casa era um lugar de descanso ou um campo minado?

As respostas a essas perguntas revelam a influencia da sua família na maneira de como se relacionar com o OUTRO, em seus ciclos sociais. Não nos tornamos o que somos sozinhos. E é por isso que relacionamentos são tão importantes para nosso crescimento psíquico. Compreender base de onde viemos pode fortalecer a estrutura e resignificar nossas ações, atuais.

Uma criança copia modelos. A criança repete as ações com quem convive e das pessoas de ela admira. Mas, quando adultos podemos e devemos descobrir a nossa própria forma de lidar com novos relacionamentos, pais, filhos, irmãos, amigos e amores.
É possível, sim, a reconstrução de uma nova forma de viver a vida.


Rita Castro (psicanalista).

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

O Mínimo Para Viver


O filme, O Mínimo Para Viver, tem uma abordagem interessante sobre transtornos alimentares e nesse caso contempla a Anorexia. Bem retrata o caso de Ellen/ Elai, personagem central do filme. Também traz um tratamento, dito, diferente segundo as famílias das pessoas que procuram o Doutor envolvido nesse área, terapêutica. Um método comportamental e que sugere que a cada etapa que o paciente adiantasse em seu estágio, ele (a) recebia uma espécie de gratificação por isso. 

Bem, o filme traz muitas escutas, mas uma delas a meu ver ficou voltada para o vincula partido que a mãe de Elai tinha com a filha. Elai é filha de pais separados. O pai é totalmente ausente. A mãe por não saber lidar com a filha desde que começou o transtorno  envia  Elai para casa do pai que já estava casado com outra mulher. Elai passa a morar com o pai, a madrasta e uma Irmã por parte de pai. Mesmo assim o pai dela nunca estava em casa e quem resolvia tudo para ela e na família era a sua madrasta. E foi ela que tentou internamento que pudesse resolver o caso de Elai.

No desenrolar do tratamento ela conseguiu fazer algumas descobertas sobre sua dinâmica individual. Culpava-se, também, pela morte de uma moça que tinha um transtorno alimentar e por ter visto um alguns de seus desenhos, suicidou-se. Elai era artista e construía seus desenhos na ideia de um corpo perfeito.

Elai deixou de desenhar quando os pais da moça que cometeu o suicídio fotografou o estado em que a moça  e lhe enviou as fotos do corpo da mesma com um bilhete culpadando Elai pelo suicídio da filha deles, já que a filha era fã de seus desenhos de Elai.

Depois desse acontecido Elai começa a se sentir culpada e a reviver seus traumas infantis: mãe e pai ausente.  E reviver todo o abandono infantil .
O filme é retrata mais uma dificuldade vincular entre mãe e filha!


#psicanalistarita

link, abaixo,







http://www.adorocinema.com/filmes/filme-245943/trailer-19555515/

Fofoca?





Quando escuto a fala de João sobre Pedro fico conhecendo mais de João do que de Pedro, assim teorizou Freud há muito tempo. Se alguém lhe traz uma fofoca, “verdade”, entende-se que essa é uma prática dele (a) como dinâmica de vida. A “verdade” sobre o Outro é a minha “verdade” também.  Já que o Outro será sempre o meu espelho. É interessante cuidar da separação psíquica. A busca de si mesmo perpassa por cortes psíquicos e muitas vezes umbilicais.

#descubrase #cuidese #psicanalistarita